Associação Reciclázaro – Uma ação social de impacto ambiental
A Associação Reciclázaro completou, em 2007, uma década de atuação no apoio a populações em situação de risco social. No período, se credenciou como uma das organizações não governamentais mais bem estruturadas para atender homens e mulheres em situação de rua na cidade de São Paulo.
Das 10 mil pessoas vivendo nestas condições, segundo dados oficiais da prefeitura, 900 passam diariamente pelas unidades da Reciclázaro. Portanto, cerca de 10% da população de rua da capital paulista integram algum programa de reinserção social desenvolvido pela ONG.
O modelo de recuperação aponta para a origem desta entidade sem fins lucrativos: a Reciclázaro nasceu no seio das pastorais sociais da Igreja Católica, em meio a uma ação da paróquia São João Maria Vianney, na Lapa, para recuperar a Praça Cornélia, degradada pela miséria e o tráfico de drogas. Este é o contexto em que desenha-se, em 1998, o primeiro projeto da Reciclázaro: a abertura da Casa São Lázaro para acolher moradores daquela praça, onde até hoje funciona a sede da organização.

A Casa São Lázaro abriu caminho a uma série de iniciativas em prol do povo da rua. Disponibilizou psicólogos, psiquiatras, fonoaudiólogos, dentistas, advogados e um curso de alfabetização. A preocupação seguinte foi encontrar uma alternativa de sustento próprio para as pessoas atendidas. Não bastava apenas tratar, orientar, oferecer banho e alimentação. Constatou-se que a maioria era formada por catadores, quase sempre explorados por donos de “ferro velho”. Recebiam pouco pelo material recolhido das ruas, e às vezes em troca de álcool.
A Reciclázaro montou, então, um programa de coleta e triagem de materiais recicláveis: a experiência pioneira da Comunidade Produtiva Reciclázaro, na mesma Praça Cornélia, onde tudo começou. Vem daí o nome Reciclázaro, que fixou a imagem da ONG junto à sociedade. Hoje, essa comunidade está sediada no Butantã, num terreno de mil metros quadrados, e recicla
70 toneladas de material por mês (lata, papelão, plástico, vidro e alumínio).
Padre José Carlos Spinola, presidente e fundador da entidade, resume o carisma da Reciclázaro: “A latinha volta a ser latinha, o papel volta a ser papel, o vidro volta a ser vidro, o plástico volta a ser plástico e o Ser Humano, volta a ser Ser Humano”.
Público se diversificou e o projeto cresceu
O conceito de reciclagem se estendeu à própria vida das pessoas e não somente no que se refere aos que foram trabalhar na coleta seletiva. A Reciclázaro adentrou um universo muito maior da exclusão. Entendendo o cuidado ambiental como pano de fundo para reconhecer o ser humano esquecido pela sociedade, desenvolveu novos programas sociais, capazes de atingir uma diversidade impressionante: além dos catadores de material reciclável, a entidade passou a atender idosos, deficientes físicos, mulheres vítimas de violência, dependentes de álcool e outras drogas e mulheres pobres portadoras do vírus HIV, através de parcerias junto a secretarias de governo do município, empresas e comunidade local.
Os projetos deram origem à abertura de equipamentos sociais, na região do Brás, além da Lapa e do Butantã. Atualmente, são estas as unidades em funcionamento:
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Casa São Lázaro - Sede administrativa da Associação Reciclázaro, mantém programas de apoio e orientação permanentes, nas áreas de atendimento jurídico, social, psicológico, fonoaudiológico e psiquiátrico, assim como a alfabetização de adultos. |
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Cooperativa Recicla-Butantã – Projeto incubado pela Associação Reciclázaro. A Cooperativa Recicla- Butantã foi constituída juridicamente em 2008 e atualmente trabalha com total autonomia, gerando renda diretamente para 30 pessoas e coletado mais de 70t de material/mês. |
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Clínica Reciclázaro - Reabilita dependentes de álcool e outras drogas, através do método de tratamento com os “12 passos do cristão” e os “12 princípios do amor exigente” (métodos reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde). |
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Albergue São Lázaro - Atende em caráter de abrigamento a 100 homens em situação de rua e os orienta quanto a novas oportunidades de convívio social e relação com o trabalho. Nesse sentido, o albergue é porta de acesso a vários outros serviços da rede pública (nas áreas de saúde, educação e outras). O São Lázaro criou um Núcleo Produtivo que promove oficinas e tem, hoje, 60 pessoas se capacitando na produção de móveis de papelão, artesanato com materiais recicláveis, corte e costura, além de uma oficina de cerâmica, outra de música e uma rádio de freqüência interna, que está para ser inaugurada. |
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Casa Samaritano – Albergue para população masculina em situação de rua, acima de 18 anos, com capacidade para 150 pessoas. Funciona em caráter de abrigamento provisório. Os conviventes podem permanecer por até seis meses, prazo que é renovável por igual período de acordo com a evolução psico-social de cada um. |
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Casa de Marta e Maria – Abrigo para 60 mulheres vítimas de violência, sob proteção da justiça ou que têm um histórico de abandono e maus tratos na rua. A casa acolhe também uma parcela de mães que trazem seus filhos, e a instituição contribui para construírem novos projetos de vida. |
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Casa de Simeão – Espaço de acolhida e reinclusão social para idosos e portadores de deficiência física que foram moradores de rua. Na casa existem 180 vagas, preenchidas, e um programa regular de atividades socioeducativas, inclusive com sala de alfabetização de adultos, padaria-escola e encaminhamento para oficinas de capacitação e geração de renda. |
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Casa Guadalupe – Recebe 12 mulheres de baixa renda portadoras do vírus HIV, num ambiente construído para os cuidados necessários com a saúde. Na casa de Guadalupe não há o isolamento nem o clima de um hospital, mas o espaço de convivência entre pessoas com autonomia. |
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Centro Produtivo Gasômetro – Espaço de capacitação e geração de trabalho e renda para 60 pessoas em situação de rua, provenientes das demais casas pertencentes à organização. O Centro Gasômetro comporta as oficinas de costura, marchetaria, marcenaria, vidro moldado, silk-screen, vassouras e esculturas de PET, produção de instrumentos musicais, corte e vinco e terceirização de mão-de-obra. |
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Centro de Formação em Tratamento Comunitário no Brasil - Espaço de pesquisa, capacitação e difusão do conceito de Tratamento Comunitário. O foco da iniciativa está na intervenção social, destacando a comunidade como protagonista fundamental. O projeto acontece em parceria entre a Reciclázaro e a Associação Lua Nova, com apoio da Cáritas alemã, da Unesco e União Européia. O Centro de Formação contribui para aprofundar as experiências das duas organizações, assim como difundir a teoria e a prática de ambas através de formações dirigidas a outras instituições que trabalham com dependência química e vulnerabilidade social.
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A importância das parcerias na trajetória da Reciclázaro
O conceito de redes norteia a prática da Associação Reciclázaro no trabalho em diferentes áreas da reinclusão social.
Os projetos de acolhida, retomada de vínculos e tratamento na comunidade “vivem” da construção de redes, uma ação diária que envolve assistentes sociais, educadores e gestores de programas em diálogo com quase todos os setores da sociedade – empresas apoiadoras, administração pública (encaminhamento de usuários dos albergues e de outros serviços da entidade aos atendimentos em órgãos da saúde, educação e trabalho) e entidades do Terceiro Setor, como a própria Reciclázaro.
A prefeitura de São Paulo é um dos parceiros significativos, uma presença constante na implementação de programas de acolhida e reinclusão social (em albergues e abrigos na região da Mooca). Quase todos estes programas têm início a partir da interlocução com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS). Existem atualmente 4 convênios em vigor, firmados por Reciclázaro e SMADS.
O diálogo com o poder público e a comunidade sinalizam para a viabilidade das propostas e metodologias adotadas pela Associação Reciclázaro. O desdobramento deste diálogo é a abertura de novas possibilidades de parcerias, tal como ocorreu em relação à Cáritas Brasileira, Unesco, União Européia e Cáritas Alemã – organismos multilaterais que reconheceram na Associação Reciclázaro o perfil de uma instituição pluralista, promotora de cidadania e aberta à troca de experiências na difusão de novas tecnologias sociais.
O setor privado também é co-participante em algumas intervenções na área socioambiental, ajudando, lado a lado com a comunidade, na aplicação do conceito de responsabilidade social. Entre as empresas parceiras, aparecem: PriceWaterhouseCoopers, PLASTIVIDA, CEMPRE, Saint Gobain, SGD Brasil e Emplal.
No âmbito comunitário, a Reciclázaro mantém parcerias com escolas, comércio, condomínios e residências, de modo especial na zona oeste de São Paulo, no bairro da Lapa, onde se localiza a sede administrativa da organização.
Contato:
Associação Reciclázaro
Praça Cornélia, 101 – Lapa
PABX: (11) 3871-5972
Site: www.reciclazaro.org.br
E-mail: contato@reciclazaro.org.br